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16 Fev 2010

Nuno Gaivoto fala acerca de NIN flu at the weekend

NIN flu at the weekend parece ser uma exposição com pinturas vibrantes, tanto pela temática pornográfica, como pelas cores e pela composição.
Manuel Leiria fez a entrevista.

Aqui está o texto que acompanha a exposição:

NIN flu at the weekend, pinturas de Nuno Gaivoto

NIN flu at the weekend é um título que denota uma paranóia fetichista pelo uso de máscaras. O homem transformado em utente através da dedicação a um objecto que lhe tapa a cara – há em todas as cores e até com padrões engraçados ou com as formas mais bizarras. Todas servem para tapar, tornando o fetiche que devia ser uma coisa íntima num estado público. A máscara, seja por causa do carnaval, das doenças aero-transportadas, do Serviço de Urgência ou da Anatomia de Grey, assumiram o papel de governo da vontade de quem as usa e uma máscara não é uma boa maneira de mostrar a vontade, uma máscara serve para tapar. O fetiche inconsciente tornou-se paranóia colectiva. No Iraque, entre fatos tecnologicamente impermeabilizados lá havia uma cinta à volta da perna do bravo com uma máscara, que se colocava nas simulações dos exercícios do fim: a máscara ao serviço da sobrevivência, tornando o homem num utente e, por fim, numa barata ou num desses bichos que hão-de sobreviver a qualquer fim.
Tecnicamente as pinturas de Nuno Gaivoto são pinturas mascaradas, construídas com camadas sobre camadas de tinta mais ou menos fina, tapando e mostrando num jogo com quem as vê. São pinturas que parecem não pedir muito, ou melhor, não querer dar muito – dão-se a ver e não têm grandes pretensões, não impõem a sua vontade a quem olha. Aparentemente nem chegam a ter vontade, tapadas pelas suas máscaras são um estado colorido, uma composição com umas figuras e um fundo, uma coisa animada com movimento e que dá espaço para respirar. O nosso olho treinado pelo nosso cérebro nas manhas de viver com uma bolsa numa cinta em volta da perna não chega mais longe. Quem olha também vê por camadas.
As pinturas do Nuno Gaivoto são pinturas fáceis de agradar ao olho desprevenido, não porque o que as compõe seja fácil, mas porque a sua estratégia tem sido a de camuflar os seus temas com uma série de desvios sobre o olhar de quem observa. Cores fortes e luminosas queimam a superfície pintada, uma sobre-exposição que chama a atenção sobre si e sobre as figuras que não se afundaram, mas que também não flutuam. Quem olha deixa-se levar e precisa de tempo para encontrar os elementos que montam a trama geralmente de má fama que se desenrola perante os seus olhos. Desbravando o universo do pornográfico e do demasiado exposto, o pintor diverte-se sabendo que as figuras entrelaçadas que povoam as suas pinturas se misturam com padrões que não estão lá e que se esforçam por aparecer.
Os formatos deste armagedão de cor são tão divertidos como as pinturas. A diversão é uma estratégia de camuflagem que serve para iludir o fim. Uma fuga à paranóia pode ser o riso, um parente do sopro – que tanto serve para aquecer as mãos como para arrefecer a sopa.
NIN flu at the weekend é uma série de pinturas que deslocam as histórias das ilhas de Noa Noa e dos banhos de Ingres para o ecrã que se estende à nossa frente. É uma exposição acerca de fetiches, paranóia e vida, tudo imerso num sentido imenso de paisagem. E a paisagem é o sítio do jogo.

João dos Santos
Leiria, Fevereiro de 2010